segunda-feira, 30 de Junho de 2008
quarta-feira, 25 de Junho de 2008
quinta-feira, 19 de Junho de 2008
At a picnic everybody disappears
segunda-feira, 16 de Junho de 2008
Escoliose 0 - Zé 1
A minha escoliose está mesmo, mesmo a estabilizar, sem probabilidade de progressão. Ficou nos 40º de curva toráxica. A marreca, cá fica.
Um belo dia, sim senhor.
Um belo dia, sim senhor.
sábado, 14 de Junho de 2008
Porque este blog também serve para isto
Tinha 11 ou 12 anos quando a minha mãe se apercebeu que o filho dela, o Zézito, tinha a coluna torta. Lembro-me de me dobrar e de sentir as mãos dela a acompanharem as vértebras. Os meus pais levaram-me a um ortopedista que me diagnosticou uma Escoliose Dupla em S Idiopática. Mandou-me fazer 90 abdominais por dia e obrigou-me a usar um colete Milwaukee. Andei com aquele pesadelo vestido durante 3 anos, entre os 12 e os 15. Estava no 10º ano quando fui encaminhado para o serviço de ortopedia do Hospital São João. Disseram-me que teria de ser operado o mais depressa possível. Sinceramente, não me lembro de ficar preocupado, nem da minha família ficar desesperada. Na altura, não tinha dores nem sentia nada de anormal no meu corpo.
Esperei 2 meses no hospital pela cirurgia. Acordei com muitas dores - disseram-me para carregar num botão sempre que voltassem (suponho que me injectavam morfina). Levantei-me, tonto, com mais 5 centímetros. Fui para casa com muitos comprimidos. Tinha os movimentos completamente limitados e não podia subir nem descer escadas. Lembro-me dos amigos e vizinhos em casa e de toda a gente ser muito porreira. Comia muita canja.
Cinco anos depois, o mesmo ortopedista que me operou disse-me que não precisava de voltar ao hospital e que podia fazer tudo para ter uma vida completamente normal. Assim foi. Tive namoradas, namorados, fiz natação, corri, levantei pesos, viajei, conduzi, diverti-me, vivi, sempre com a consciência de que não era completamente simétrico.
Hoje, tenho 27 anos e sinto-me o protagonista de uma variação do Dr. Jekyll e Mr. Hide. Se sempre tive uma das omoplatas mais saliente, actualmente, toda a parte direita da minha caixa torácica sobressai numa deformidade que me oprime diariamente. Ando a perder altura. De 1,86 em 2005 passei para 1,83. Cada dia que passa, sinto-me mais desfigurado: seja ao vestir uma t-shirt, ao encostar-me a uma cadeira, ao andar, ao ver-me ao espelho. Tenho segunda-feira uma consulta no Hospital São João.
Estou assustado. Assustado com o futuro. Acho que ninguém está preparado para viver deformado. Não sei o que me podem fazer. Sei que não há cura para isto. Sei que a desrotação da coluna é muito difícil em adultos. Mas sei também que é possível cortar costelas, através de uma cirurgia que se chama toracoplastia, e minimizar a deformidade. Tenho apenas 27 anos e sempre vi o futuro como o melhor que ainda está para vir. Não estou preparado para o enfrentar numa dimensão fisicamente distorcida que me anula qualquer auto-estima. Não quero imaginar como será daqui a 10 ou 20 anos.
Preciso de coragem, mas não sei onde anda.
sexta-feira, 13 de Junho de 2008
Letyat Zhuravli

Estava a ler o Cahiers du Cinéma e reparei imediatamente num frame incluído num artigo sobre o primeiro filme a ganhar o festival de Cannes, isto em 1957. Vi-o há muitos anos na 2, a horas tardíssimas. Lembro-me tão bem da modernidade experimental da realização e da fotografia, e de como o filme me marcou durante meses. Até hoje, não associava nenhum título nem realizador à obra. Chama-se Letyat Zhuravli (Quando passam as cegonhas) e foi realizado pelo russo Mikhail Kalatozov.
quarta-feira, 11 de Junho de 2008
domingo, 8 de Junho de 2008
Sublime Frequencies
A Sublime Frequencies é uma editora que procura apresentar música asiática completamente inédita, através de gravações feitas muitas vezes durante concertos ou enquanto a música está a passar na rádio. Para quem lá esteve, em Serralves no sábado à noite, percebe a genialidade da proposta. Deixo-vos com um vídeo de Omar Souleyman, psicadelismo da Síria - é uma vedeta no seu país.
Regozijem.
Regozijem.
quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Mulheres
Gosto de ver mulheres na actualidade política (apesar da Hillary estar prestes a anunciar o seu apoio a Obama para as presidenciais e da Ferreira Leite parecer um pouco desenquadrada no aparelho do PSD). A política é um universo ruidosamente chauvinista, onde elas raramente entram. Gostava de ter sido um adulto durante os quatro meses da ex-primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo. Sinto esperança quando as vejo a tomar as rédeas de um mundo dominado por testosterona auto-consumida. A quota obrigatória de mulheres no nosso parlamento devia passar dos trinta e tal por cento para os cinquenta. E não me venham com a treta da questão do mérito. Elas têm-no. O sistema, sempre o sistema, é que não as quer lá dentro.
Bom dia
quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Bom dia
Era uma vez no México

Então não é que hoje, num jogo de mímica, percebi que não sabia se o “Era uma vez no México” tinha sido realizado pelo Leone ou pelo Rodriguez. Que me perdoe o Serginho, porque afinal é mesmo do Roberto. Será que o devo ver? Pelo poster, diria que não.
De qualquer forma, estou em pulgas para o prolongamento do trailer do "Machete" que, para quem não se lembra, passou antes do Planet Terror. Promete ser um delírio de série Z.
Resumindo,
Era uma vez no México: Robert Rodriguez (2003)
Era uma vez na América: Sergio Leone (1984)
terça-feira, 3 de Junho de 2008
Cobain Escoleótico
Afinal de contas, toda aquela raiva do Kurt Cobain também tinha origem, entre outras fatalidades, numa escoliose. Fica aqui uma parte da entrevista.
Jon Savage: That's where the pain and anger come from?
Kurt Cobain: It's definitely there. Every time I've had an endoscope, they found a red irritation in my stomach. But it's psychosomatic, it's all from anger. And screaming. My body is damaged from music in two ways: not only has my stomach inflamed from irritation, but I have scoliosis. I had minor scoliosis in junior high, and since I've been playing guitar ever since, the weight of the guitar has made my back grow in this curvature. So when I stand, everything is sideways. It's weird.
Jon Savage: You could get that sorted out.
Kurt Cobain: I go to a chiropractor every once in a while. You can't really correct scoliosis, because it's a growth in the spine. Your spine grows through your adolescent years in a curvature. Most people have a small curvature in their spine anyhow, though some people have it really bad and have to wear metal braces. It gives me a back pain all the time. That really adds to the pain in our music. It really does. I'm kind of grateful for it.
Dan Deacon já não festeja em Serralves
Bon Iver (For Emma, Forever Ago)
Virgin Galactic

Isto já não é novidade para ninguém, mas a Virgin Galactic (www.virgingalactic.com) ainda está a aceitar reservas para os voos sub-orbitais. Cassamia, adorava oferecer-te um bilhete para o teu aniversário mas custam 100 mil dólares.
Se visitarem a página em português e acharem a tradução macarrónica, digam-me qualquer coisa - fui eu que a fiz.
segunda-feira, 2 de Junho de 2008
Do Weeds para o Blackout

Sem querer tornar isto numa extensão da libertinagem existencialista do Sexo e a Cidade, ouvi o seguinte na série Weeds e um sino de identificação foi tocado pelo Quasímodo que coabita com o Peter Pan na minha cachola: diz o Matthew Modine para a protagonista “Então quando voltamos a ter sexo?” e responde a protagonista para o Matthew Modine “Quando me voltar a sentir desesperada”.
Por falar em Matthew Modine, lembrei-me de um filme do Abel Ferrara em que o tipo entra, o Blackout. Se estiverem interessados em mais um retrato desesperante sobre as consequências do alcoolismo, alugem.
É engraçado estar a falar tanto do Weeds quando, aqui entre nós, não me parece mais do que um aperitivo para esse prato digno de um Pantagruel que é o Californication.
Inserir animação com fogo-de-artifício aqui
Admito que não sabia que era tão fácil. Não devo ter clicado durante mais do que dois minutos até ser presenteado com uma mensagem a confirmar a criação do blog. O meu blog. Sou oficialmente um blogger.
Admito também que percebo muito pouco da gramática bloguista e espero ser orientado amigavelmente pelas entidades virtuais que habitam a rede (ou redes, como queiram).
Mas chega de boas-vindas e toca a acelerar (pedal to the metal) para contornar as curvas escoleóticas - sim, sou escoleótico, daí o marrecas - com cinema, música, geekarias, livros e notícias absurdas.
Um bem-haja para mim.
Admito também que percebo muito pouco da gramática bloguista e espero ser orientado amigavelmente pelas entidades virtuais que habitam a rede (ou redes, como queiram).
Mas chega de boas-vindas e toca a acelerar (pedal to the metal) para contornar as curvas escoleóticas - sim, sou escoleótico, daí o marrecas - com cinema, música, geekarias, livros e notícias absurdas.
Um bem-haja para mim.
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