quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Mulheres


Gosto de ver mulheres na actualidade política (apesar da Hillary estar prestes a anunciar o seu apoio a Obama para as presidenciais e da Ferreira Leite parecer um pouco desenquadrada no aparelho do PSD). A política é um universo ruidosamente chauvinista, onde elas raramente entram. Gostava de ter sido um adulto durante os quatro meses da ex-primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo. Sinto esperança quando as vejo a tomar as rédeas de um mundo dominado por testosterona auto-consumida. A quota obrigatória de mulheres no nosso parlamento devia passar dos trinta e tal por cento para os cinquenta. E não me venham com a treta da questão do mérito. Elas têm-no. O sistema, sempre o sistema, é que não as quer lá dentro.

6 comentários:

cassamia disse...

pois é!
combinamos os dois pois existem muitas semelhanças entre os nossos post...

Marrecas disse...

Realmente, que pontaria. Acordámos os dois virados para o mesmo lado. Para o da igualdade.

Raquel disse...

É capaz de ter a ver (haver?) com muitos factores, mas não me parece que a questão das quotas seja minimamente democrática em casos como o da política. Se não há mais mulheres a aparecerem é porque não há assim tantas interessadas em fazer carreira na política. Diferença de oportunidades ainda existe, mas acho que diminuiu em muito nas últimas décadas. Eu falo pelo meio em que trabalho que é maioritariamente masculino e numa percentagem de 90% de homens para 10% de mulheres, só um entre 5 dos "chefes" é um homem... Quando há vontade e mérito as coisas acontecem.

Marrecas disse...

Não podia discordar mais contigo. Quando tiver tempo respondo-te ao nível da tua participação. Sexta-feira. A loucura dos dead-lines.

cassamia disse...

bum dia mai lóbe!!!

Marrecas disse...

Primeiro, sim é a ver. Haver é o verbo e não tem nada a ver – também vale o “não tem nada que ver” que serve em casa de dúvida. Agora, ao assunto.

As mulheres foram, e continuam a ser, constantemente relegadas para segundo plano no que toca a assuntos de política, desde a composição dos partidos, até à escolha de deputados no parlamento (não preciso de apresentar dado, pois basta ver uma fotografia de qualquer assembleia dos últimos 100 anos). É uma disfunção profundamente enraizada que tem vindo a ser alterada paulatinamente. E é aqui que entra o sistema de cotas, por exemplo. Estamos a falar de todo um sistema que continua a ter os homens como gestores e que, obviamente, preferem ter homens por perto – porque, sei lá, podem falar de futebol e beber umas cervejas. As quotas servem como ponte para uma mudança a nível político que já começou a nível social há bastante tempo. Quanto ao mérito, sejamos francos. Achas que a maior parte dos deputados estão na assembleia por mérito próprio? É uma questão de representatividade, e as assembleias têm de reflectir a sociedade. Pelos vistos há mais mulheres no mundo do que homens. Ninguém o diria, se apenas olhasse para o nosso parlamento. Claro que as coisas têm mudado e muito. Mas são precisas acções que regulem internamente o sistema para que as coisas aconteçam. Os países nórdicos já o fizeram há muito e são um exemplo muito bom a seguir – e chegam ao ponto de aplicar o sistema de quotas nos conselhos administrativos das empresas. É tudo uma questão de mudança de mentalidades e um empurrãozinho só ajuda.